x

Se Nada Mais Der Certo

No filme “Se Nada Mais Der Certo”, Léo é um jornalista que nunca teve amor à profissão. Vive de bicos, cobrindo eventos – principalmente sobre TV – para jornais de fora de São Paulo, cidade aonde chegou há algum tempo, mas ainda se sente um estrangeiro. Sua situação financeira é terrível: está falido, paga o aluguel com dificuldade, contas de condomínio, luz, telefone e o salário da empregada estão atrasados, seu CPF foi cancelado e vários títulos foram protestados. Os freelas são sempre pagos com atraso e como não são suficientes pra cobrir o rombo, ele gasta em pequenos prazeres.

Ângela, que divide o apartamento com Léo, é uma mãe desleixada. Seu filho de seis anos é cuidado pela empregada, uma senhora bonachona, que não recebe o salário há quatro meses, mas permanece na casa pois não tem pra onde ir. Ângela é depressiva, vive deitada o dia inteiro na cama, alternando momentos de euforia. À noite, caminha pela zona atrás de diversão e uma dose violenta de qualquer coisa. Volta para casa na manhã seguinte, alterada e ainda mais deprimida, levando-a a crises de bulimia e outras compulsões.

Léo conclui um dia que não passa de uma estatística de milhões de pessoas acuadas financeiramente e resolve gastar o pouco dinheiro que tem na noite. Vai parar, por acaso, nos mesmos lugares freqüentados por Ângela, onde acaba conhecendo Marcin que trabalha na zona. De visual totalmente ambíguo: vestido de homem, mas com jeito de menina. Odeia que o chamem de Marcinho ou Marcinha. Tem que ser Marcin. Ao conhecer Léo,  imagina tratar-se do marido de Ângela, sua cliente desaparecida, mas logo Léo o esclarece: Ângela mora em seu apartamento de favor, enquanto tenta se desentoxicar, educar o filho e conseguir um novo emprego. Marcin fica extremamente simpático(a) a Léo pelo seu humor, pelo jeito respeitoso pelo qual é tratado(a). Marcin convida Léo e Wilson, um taxista amigo, pra beberem no começo da manhã. Marcin avisa que é ele quem vai pagar. Os três se conhecem e se divertem.

Wilson sofre de distúrbios mentais, acha que precisa de um psiquiatra para tratar dos seus desejos estranhos de se cortar, ou cortar alguém que não consegue se lembrar, tem impulsos violentos e ouve ruídos. Assim como Léo, está sem dinheiro. O que ganha no táxi mal garante a continuidade do trabalho, pois tem que pagar o aluguel do veículo, no valor de cem reais por dia, sem poder atrasar mais de dois dias, o que causaria a perda do veículo. No dia em que está reunido com Léo e Marcin, Wilson guarda o dinheiro do aluguel no bolso, mas a desilusão com a profissão, o faz pensar se vale mesmo a pena fazer o pagamento e continuar na profissão que foi de seu pai que se matou. Wilson carrega com ele a arma do suicídio do pai. Descarregada, ele a mantém sempre sobre seu olhar, numa tentativa de tentar entender alguma coisa do ocorrido.

Marcin percebe a todos: estão mergulhados na mais transparente, completa e absoluta derrocada. Ele acha que
pode ajudá-los. Não tem amigos, mas tem boas idéias e bons contatos: o policial que circula na Rua Augusta, O homem sanduíche no Centro da cidade, seu cliente cheio da grana, o cara gordo da Vila Mariana… Costuma dizer que “Fora a morte, todo problema tem uma esperança”. O que ninguém sabe é qual será o caminho possível quando nada mais der certo.

Direção: José Eduardo Belmonte
Roteiro: José Eduardo Belmonte,Luis Carlos Pacca
Gênero: Drama
Elenco: Leandra Leal (Georgina), Cauã Reymond, Luíza Mariani (Angelina), Milhem Cortaz (Cibele), Caroline Abras, João Miguel (Wilson)

Estreia: 14/08/2009


Deixe um Comentário